sábado, 13 de novembro de 2010

"Tiririca é a cara da sociedade"

Voltando ao blog após mais de um mês afastado devido a muitas atividades da universidade. Falando nisso, é justamente o assunto educação que me motivou a escrever este post.

As eleições deste ano foram marcadas por diversas denúncias, poucas propostas e muitas polêmicas. Entre elas, a candidatura a deputado federal de Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, que foi eleito com 1,3 milhão de votos, ou seja, o candidato a deputado mais bem votado do país. Com ele, vieram pelo menos mais três candidatos.

Em sua campanha, Francisco Silva embarcou na popularidade de seu personagem Tiririca para conseguir uma expressiva votação nas urnas. Com o slogan “vote Tririca 2222 – vote no abestado” e frases como: “O que é que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei, mas vote em mim que eu te conto” e “Vote no Tiririca, pior do que tá não fica”. Até aí tudo bem, ele estava em seu direito democrático de se lançar candidato.

Assim como ele, outros famosos também lançaram candidatura. Do funck, vieram Tati Quebra-Barraco e as “frutas” Mulher Melão e Mulher Pêra; do futebol, a dupla de ataque da Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1994 Romário e Bebeto; da música, a dupla de irmãos do KLB Kiko e Leandro. Na categoria ex-BBBs, tivemos o campeão da quinta edição do Big Brother Brasil Jean Wyllys, entre outros. Mas, a candidatura do palhaço Tiririca foi a de maior repercussão pelo país devido à suspeita de ele ser analfabeto.

Em matéria publicada pela revista Época, há indícios de que Tiririca tenha falsificado uma declaração de alfabetização ao registrar sua candidatura a deputado federal. Em um vídeo gravado por repórteres da revista, o filho do humorista o ajuda a ler um cartão de uma pesquisa. Isso motivou o Ministério Público Eleitoral (MPE) a oferecer denúncia contra o candidato; que foi aceita pela Justiça Eleitoral de São Paulo.

Com isso, o candidato eleito teria um prazo para comprovar se sabia ler e escrever. O processo seguia em segredo de Justiça até que nesta quinta-feira ocorreu o esperado teste. Para o TRE de São Paulo, Tiririca conseguiu ler e escrever. A situação gerou discussão em diversos âmbitos da sociedade. Até o presidente da República, o Lula, saiu em defesa do humorista, afirmando que ele (Tiririca) é a cara da sociedade. De certa forma o presidente tem razão.

Segundo estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE), “20% dos brasileiros não conseguem compreender textos, enunciados matemáticos e estabelecer relações entre assuntos, apesar de conhecerem letras e números”. Isso quer dizer que, observando o próprio Tiririca, por mais que ele consiga decifrar o código (letras e números), ele não consegue interpretar e compreender o que está sendo dito. E isso é a realidade de um país que não ler. A explicação para essa situação pode estar na História.

Laurentino Gomes, em seu livro 1808, afirma que, entre os séculos XVIII e XIX, o tráfico de escravos para o Brasil foi de quase 2 milhões de negros. Com isso, a população da colônia de Portugal, até então de 300 mil habitantes, saltou para quase 3 milhões por volta de 1800. “Era uma população analfabeta, pobre e carente de tudo”, que foi cada vez mais crescendo.

Hoje vivemos uma realidade muito diferente da época do Brasil colônia, pois já houve uma grande redução do número do analfabetismo. Porém, ainda estamos longe de um resultado razoável. O país tem a nona maior taxa de analfabetismo da América Latina. São marcas históricas que precisam ser superadas visando ao tão sonhado crescimento da nação. Caso contrário, continuaremos como um país emergente.

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