Eu sei, Copa do Mundo empolga todo o planeta, sobretudo nós, brasileiros, que resolvemos demonstrar todo nosso patriotismo a cada quatro anos. Ontem eu pude perceber, de fato, como um dia de jogo da Seleção altera toda a rotina do país.
Minha segunda-feira já começara tensa, com dois trabalhos para apresentar na universidade para poder ficar de férias. Acordei às 5h30 da manhã para chegar à universidade às 7h30. Que tormento! Mas até aí deu tudo certo, cheguei no horário e apresentei o trabalho. O outro seria às 11h. Então aproveitei o intervalo para revisar o assunto.
Deu meio-dia, os funcionários e alunos já iam embora para assistir Brasil x Chile. Enquanto isso, eu assistia à apresentação dos colegas. O professor não se liga muito em jogo de Brasil (como é que pode?) e não se dava conta do horário. Resultado: saí da universidade às 12h30.
Fui para a parada, esperei o ônibus por uns 15 minutos e logo na saída do campus surge um engarrafamento. Coletivo lotado, calor infernal, fome; nem em jogo do Brasil eu pensava mais, só queria chegar em casa.
Chegando ao terminal de integração da Praia Grande, o coletivo para o meu bairro foi passando e "pernas, para que te quero!". Teria que ir nesse, senão perderia bastante tempo esperando o próximo. Na guerra para conseguir entrar até que me saí bem. O relógio já marcava 13h30.
No percurso, as pessoas já desfilavam com suas camisas verde-amarelas e suas cornetas. Carros com grandes bandeiras passavam em alta velocidade a fim de chegar a tempo ao seu destino. Lojas eram fechadas e os funcionários liberados.
Na altura do São Cristóvão, outro engarrafamento, dessa vez infernal. Faltava mais ou menos uma hora para o início do jogo. A cidade já estava em clima de feriado, motoristas impacientes, os bares já preparavam a festa... Meu estresse era tanto que nada disso me empolgava, e olha que sou viciado em Copa do Mundo, ainda mais quando é jogo do Brasil.
Cheguei em casa por volta das 14h15. Tomei banho, almocei e fui descansar um pouco. Na televisão, Galvão Bueno já empolgava os telespectadores. Carros de som e fogos já podiam ser ouvidos por toda a cidade, afinal, era dia de festa, certo? Errado. Para mim, começava mais um dia de trabalho.
Saí de casa assim que começou a tocar o hino da Seleção Brasileira. O sol era escaldante e as avenidas pareciam o Deserto do Atacama. Assim como eu, achei que os motoristas das empresas de transporte coletivo também teriam de trabalhar. Fiquei na parada, escutando o jogo pelo celular, e nada de passar um ônibus. O silêncio nas ruas só era quebrado quando saía um gol do Brasil. Com o término do primeiro tempo, minhas esperanças de pegar um coletivo aumentaram. Foi quando consegui embarcar até o terminal de integração do São Cristóvão. Chegando lá, mais tempo de espera até passar um ônibus que fosse para o São Francisco.
Já quase no final do segundo tempo, consegui seguir viagem até chegar ao trabalho. O cansaço já tomava conta de mim. Iniciava-se então mais um dia de trabalho... Na volta para casa foi bem mais tranquilo, pois as universidades e o comércio não funcionaram e o trânsito fluía bem.
Que amor pelo Brasil é esse que nos faz parar tudo para assistir ao jogo da seleção? Pelo Brasil que nada, nós somos loucos mesmo é por futebol....
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