domingo, 1 de novembro de 2009

O homem que odiava a segunda-feira

Hoje é dia 1° de novembro, domingo. Ótimo dia para sair com os amigos, pegar uma sessão de cinema, mas tem algo que nos aflige: a proximidade da segunda-feira. Se bem que dia 2 de novembro, segunda-feira, será feriado, mas a terça-feira faz o papel da segunda. E quem nunca começou a semana pensando em acabar com este dia infernal?

Ignácio de Loyola Brandão, contista, romancista e jornalista brasileiro, também pensou, ou melhor, nos presenteou com o conto "O homem que odiava a segunda-feira". A narrativa é revestida de humor e revela a condição do homem moderno. É na segunda-feira que começa o caos no trânsito; a dieta prometida; a aula daquele professor que você não suporta, ou seja, a rotina é retomada.

O personagem principal, que não tem seu nome revelado pelo narrador, passava mal só de pensar no temido primeiro dia da semana. Ele procura ajuda de várias maneiras. Os médicos então encontram uma terminologia para a tal doença. Ironicamente o autor critica a necessidade científica de "enquadrar" as angústias humanas.

No decorrer da história, o homem só tende a piorar, até que ele escuta a sugestão do homem da padaria que, em tom de brincadeira, sugere que se acabe com a segunda-feira. O personagem central já está tão angustiado que perdeu o senso de humor e leva a brincadeira a sério.

Ele começa, então, um longo processo para acabar com a segunda-feira. As pessoas que ficam sabendo da ideia dão logo todo o apoio à causa. A partir desse momento, o homem se sentia melhor, pois agora teria um projeto pessoal.

Fica implícito na narrativa que ele consegue tal feito. Tempos depois, quando tudo parecia estar resolvido, ele escuta no elevador do seu prédio a conversa de uma mulher com um médico em que ela contava que seu marido não aguentava mais a terça-feira e pensava em acabar com este dia da semana.

A história atinge diretamente cada um de nós, por isso o autor resolveu não dar nome a seus personagens. O que angustiava o homem não era a segunda-feira em si, mas a rotina cada vez mais estressante do homem moderno. Ele é capaz de abrir mão de seus sonhos por causa do trabalho. Isso, então, vai destruindo sua atoestima. Dessa maneira, começa a entrar em depressão por perceber que suas atividades já não o preenchem.

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